Religiosidade Popular – Resistência: São Jorge da Capadócia 

Primeiro foi ponto facultativo, depois feriado municipal e, a partir de 2008, o dia 23 de abril é feriado em todo o Estado do Rio de Janeiro, em homenagem a São Jorge, também conhecido por “santo guerreiro”.

Nesse dia, a igreja dedicada ao santo fica repleta de devotos. Forte, como o guerreiro, é o vermelho, a cor de Jorge. E dessa cor os fiéis se vestem, tornando ainda mais festivo o clima que envolve as atividades profano-religiosas. 

Dentro da igreja, à direita, protegida por uma grade, a imagem de São Jorge montado em seu cavalo branco é o motivo da contrição da multidão que se comprime para se aproximar da representação sagrada. Todas as atenções são voltadas para ele, Jorge, o jovem da Capadócia

Após a liturgia, ministrada pelo padre paramentado com a cor escarlate e com a pintura do bravo guerreiro em sua estola, os devotos saem do interior do templo em procissão, acompanhando o andor no qual São Jorge comanda a multidão que forma o seu exército de fiéis, em marcha triunfal pelas ruas do Rio de Janeiro. 

Nesse rito de passagem – saída da Igreja e chegada à rua – o ato de ultrapassar o “portal” está impregnado de simbologia para o cristão: ele deixa o espaço, contrito, reservado ao sagrado e se defronta com o clima festivo, a liberdade gestual e oral, a interação social das ruas: o profano. Nesse espaço revela-se a “atmosfera de perfeita liberdade”, como nos diria Bakhtin. 

Ainda que delimite áreas específicas e antípodas esse “portal” é transposto sem cerimônias ou culpa, como costuma acontecer quando se transita em ambientes complementares. Sobre isso, nos esclarece Carlos Rodrigues Brandão:

“De um certo modo, tudo o que acontece nos dias de festa é uma sequência de cerimônias regidas pela ideia de vagar pelas ruas e do entra-e-sai de igrejas e casas, unificando com o rito justamente as polaridades que existem não apenas entre a casa e a rua, mas entre também tudo aquilo de que elas são símbolos: o sagrado e o profano, o feminino e o masculino, a devoção e a diversão, a restrição e a permissividade.” 

Na peregrinação ao ar livre, as manifestações adquirem, para tanto, um ar mais descontraído, diferente daquele percebido dentro do templo. Os fiéis conversam, rezam, cantam músicas sagradas e profanas em homenagem ao santo. Choram, agradecem as graças recebidas ou suplicam pela intercessão de Jorge; alguns exibem as camisetas com a estampa do santo ou a tatuagem que será ostentada para sempre na pele do motoqueiro. Representantes de uma das maiores torcidas de futebol do Brasil, o Corinthians Futebol Club, também se apresenta, afinal, São Jorge é o padroeiro da “fiel”. 

Barracas com produtos alusivos ao dia perfilam-se por onde a procissão deve passar.  As mais procuradas são aquelas nas quais as camisetas brancas são ilustradas com várias figuras de santos: Nossa Senhora, “a mãe de Jesus”, cujas vestes e manto em branco e azul-celeste escondem o corpo virginal. Envolta em nuvens, olha enternecida para baixo; Nossa Senhora da Conceição, “aquela que concebe”, pisando suavemente na lua, sob o olhar atento de anjos dispersos nas nuvens que a sustentam, olha para o céu, enquanto segura docemente o manto azul. 

Como que saindo das águas profundas do mar sereno, a figura de Iemanjá domina a frente de outra camiseta. O seu vestido azul, ajustado ao corpo, evidencia os seios túrgidos e a cintura fina que acentua o quadril saliente. Não olha para baixo, nem para cima. Sustenta seu olhar para quem a olha naquele momento. Uma coroa de flores com uma estrela central orna a cabeça da “rainha do mar”. 

– Vou comprar essa, afirma a senhora, tocando a malha branca da camiseta. Essa é poderosa.

Iemanjá, ou Yéyé Omó Ejá, é sincretizada no catolicismo como Nossa Senhora, e cultuada tanto na Umbanda como no Candomblé.

Esse sincretismo apresentado e refletido nas camisetas é a comprovação, em pedaços de tecido, de que as mesmas personagens podem ser retratadas e entendidas de formas diferentes, por cultos e caminhos diferentes, mas todas são reverenciadas como a mãe protetora de todos. 

A figura de São Jorge, como não poderia deixar de ser, apresenta diversas estampas diferentes: em close ou apenas montado em seu cavalo branco. A preferida é aquela na qual o guerreiro está com a lança pronta para o desfecho final, ao submeter o dragão que jaz sob as patas de seu corcel, enquanto a donzela assiste as façanhas heroicas de seu defensor.

É curioso observar que a comercialização de produtos religiosos ultrapassa os limites das feiras e comércios específicos: em shoppings famosos pelas grifes  já se encontram lojas que se especializam nessa linha de produtos religioso-popular: presépios coloridos, oratórios contornados com fragmentos de espelhos, santos risonhos, medalhinhas, amuletos entre bolsas de chita, cortinas de miçangas e camisetas com figuras que misturam Marilyn Monroe, James Dean, Frida Kalo, Che Guevara e os mais diversos santos da corte celeste. A figura do “santo guerreiro” é a preferência do momento. Enfeitando sacolas, pulseiras e colares, a estampa do belo jovem guerreiro tem seu manto rebordado de lantejoulas vermelhas.  São Jorge é pop.  

Voltando à nossa procissão, alimentos, água e uma infinidade de mercadorias são comercializadas nas barracas que se amontoam no percurso dos fiéis.  Fica evidente no rosto dos camelôs a esperança de bons negócios que a atividade religiosa também proporciona.

Os devotos compõem um grupo eclético: de artistas conhecidos nacionalmente ao anônimo; negro, mulato, branco; jovens risonhos de cabelos eriçados e multicoloridos e idosos resignados; pessoas bem trajadas ou aquelas que se vestem simplesmente; aqueles que agradecem por uma graça alcançada ou os que erguem a carteira profissional, quando se aproximam da imagem, implorando por um trabalho; portadores de necessidades especiais; os que pedem esmolas, cientes de que o dia é propício, e os que as dão, pagando promessas e lavando consciências.  Os devotos retratam o Brasil. 

Uma criança, carregada no colo da mãe, parece alheia ao motivo daquela aglomeração, mas foi a protagonista de uma intercessão, pois afirma reiteradamente a sua progenitora: “São Jorge curou minha filha! Ela tinha leucemia. Agora tá curada!” A mãe chora; a filha aconchega-se no regaço materno e cochila. 

A procissão de São Jorge avança, festiva e esperançosa, pelas ruas cariocas. 

A tumultuada canonização de São Jorge

Nascido na Capadócia, afirmam as hagiologias, ele figurou em várias publicações no período medieval. Por exemplo, foi devidamente entronizado no calendário do monge inglês Venerável Beda, do século VIII, no qual consta que “foi martirizado na cidade persa de Diáspolis”. Foi ainda catalogado por Jacopo de Varazze no livro Legenda Áurea: vida de santos. Escrito no século XIII, esse livro “teologicamente correto, isento de qualquer contágio herético” registra na biografia de São Jorge, uma citação de Santo Ambrósio,  um dos mais respeitados “Padres da Igreja”, ainda que Varazze não se refira a Jorge como Santo e sim como Beato. Boas referências, portanto, destacavam o jovem guerreiro no universo das santidades medievais.

A canonização de São Jorge, atribuída por alguns ao Papa Gelásio I, falecido em 496, não tem registro oficial arquivado que a sustente, a ponto dessa santificação ser colocada em suspensão: nem é, nem deixa de ser, como veremos.

O reconhecimento de seu poder de intercessão junto às esferas divinas se fundamenta no âmbito da religiosidade popular. Foi – e é – mais um fenômeno das forças magmáticas, “vinda de baixo”, como nos diria Kung. A instituição oficial, se tentou conter essa força, não conseguiu detê-la. Desde o século IV, no Concílio de Nicéia, a fracassada tentativa de cassar os poderes de São Jorge já era levada a cabo pela instituição católica que nascia, pois nesse encontro já haviam sido consideradas                             

“todas as narrativas sobre São Jorge [consideradas] como apócrifas, ou seja, relatos que não obedeciam ao Cânon das Escrituras. A crença no poder de suas relíquias e a construção de santuários em seu louvor, entretanto, falaram mais alto. Seu culto, enraizado nas cidades mediterrâneas e nas vilas do Norte europeu, estimulou a produção de um novo relato capaz de justificar sua devoção.” 

Em 1969, através do decreto papal “Do Mistério da Páscoa”, Paulo VI promoveu uma reforma no Calendário Romano Geral, na esteira do Concílio Vaticano II, retirando algumas festas religiosas e, dentre essas, estabeleceu que as comemorações do dia de São Jorge seria uma atividade facultativa e não litúrgica. As festas facultativas não são obrigatórias, dependendo de cada local, para sua ocorrência. O nome do jovem da Capadócia, portanto, não consta no Breviário da Igreja Católica, onde estão catalogados todos os santos e santas e todas as festas reconhecidas pelo Vaticano. 

A Ordem da Jarreteira, da Inglaterra, por exemplo, fundada no século XIV, por Eduardo III, dedicou sua imagem e armas a São Jorge, por ser ele o patrono da Inglaterra. As raras nomeações indicadas para receber tão nobilíssimo título ocorrem no dia 23 de abril, dia de São Jorge. Essa tão famosa comenda teria sido instituída como condecoração aos bravos guerreiros participantes das Cruzadas, ocorridas entre os séculos XI e XIII. Como poderia a instituição religiosa desautorizar essa homenagem ao jovem guerreiro, se o reino da Inglaterra começava a se impor como potência militar e econômica? 

Em que pesem todas a glória, lendas e poderes edificantes atribuídos ao jovem guerreiro da Capadócia, a análise do decreto papal de Paulo VI sob uma perspectiva eclesiástica é justificada, dadas as razões abaixo que colocaram a santificação de São Jorge em suspensão.

Amplamente conhecido na Idade Média e referência para estudos religiosos, o livro Legenda Áurea, já citado, organizou uma coletânea de 153 hagiografias.    Por suposto, há de se entender que consta desse compêndio os santos mais reconhecidos até o século XIII. Jorge da Capadócia tem sua hagiografia relatada, mas não é reconhecido como santo e, sim, beato. Beato São Jorge. 

Outra justificativa atribuída para São Jorge não ser oficialmente reconhecido pelo Vaticano são as várias versões que tornaram impossível estabelecer um fio condutor de sua história, e, também, a estreita vinculação de sua trajetória com a mitologia, como consta do “teologicamente correto, isento de qualquer contágio herético”, livro de Varazze:

“Jorge, tribuno nascido na Capadócia, foi certa vez na Silena, cidade da província da Líbia. Ali perto havia um lago, grande como um mar, no qual se escondia um pestífero e enorme dragão que muitas vezes afugentou o povo armado que tentara atacá-lo. Para acalmá-lo e impedir que se aproximasse das muralhas da cidade, que não protegiam de seu hálito empesteado que matava muita gente, os habitantes davam-lhe todos os dias duas ovelhas. Quando começou a não haver ovelhas em quantidade suficiente, o conselho municipal decidiu que se daria uma ovelha e um humano, sorteando-se para tantos rapazes e moças, sem excetuar ninguém. Depois de algum tempo também faltou gente, e o sorteio designou a filha única do rei para ser entregue ao dragão”.

No desenrolar da história, aparece o “bem-aventurado Jorge” que “passava casualmente por lá”. Em luta com o dragão, Jorge disse à população: “Nada temam, o Senhor me enviou para que eu os libertasse das desgraças causadas por esse dragão. Creiam em Cristo e recebam o batismo, que eu matarei o dragão. Então o rei e todo o povo foram batizados e o bem-aventurado Jorge desembainhou a espada e matou o dragão (…) Nesse dia, 20 mil homens foram batizados, sem contar crianças e mulheres”.

Essa proximidade de Jorge com as sagas mitológicas criou sério desconforto no Vaticano e sua canonização não foi oficializada. 

A situação ambígua do jovem guerreiro é, no mínimo, intrigante. Não reconhecido canonicamente São Jorge tem igreja, culto e dia de graça sob a chancela da instituição oficial, em que pesem as “Normas para observar na Instrução Diocesana das Causas dos Santos”, promulgada em 1983 pelo então papa João Paulo II, cujo artigo 36 decreta: “São proibidas nas igrejas as celebrações de qualquer gênero ou peregrinações sobre o servo de Deus, cuja santidade de vida está ainda sujeita a legítimo exame

A Santa Sé, à moda de Pilatos, lava suas mãos liberando os crédulos para o culto jorgeano, afinal os seus fiéis engrossam as fileiras – e as estatísticas – dos que procuram os templos oficiais em busca da proteção de São Jorge e que não podem ser desprezados em um período de reconhecida escassez do rebanho cristão. Mas isso não explica tudo.

Por que o Vaticano, tão zeloso do cumprimento de suas normas eclesiásticas, não estancou o avanço tempestuoso da sacralidade popular de São Jorge e de tantos outros “santos”, sem reconhecimento canônico e que são venerados pelo mundo? 

A histórica e milenar Igreja dedicada a São Jorge, na cidade de Lida, próxima a Jerusalém tem sua construção e homenagem atribuída ao Imperador Constantino (? 272 – 337). Este imperador, filho de Santa Helena, foi o primeiro soberano romano batizado, ainda que esse rito de purificação e consagração tenha ocorrido pouco antes de sua morte, em 337. 

O Imperador Constantino foi, portanto, contemporâneo do guerreiro Jorge, que nasceu entre 275 e 280 e morreu em 303, ou seja, pouco mais de 30 anos da morte de Jorge, já era erguida uma igreja cristã em sua memória, por um imperador e isso tem uma força simbólica contundente:  até então, o soberano imperial era considerado o Pontifex Maximus (supremo sacerdote) do mundo politeísta romano.    Esse episódio pode ser consistente e comprobatório para se entender que a propagação dos eventos atribuídos a São Jorge, o guerreiro, teve disseminação e reconhecimento, considerando a proximidade de sua morte e a edificação de uma igreja cristã, em sua homenagem, ordenada pelo Imperador do maior império da época. 

A extrema cautela do Vaticano tem uma forte razão de ser: como desprezar o enorme contingente do exército de devotos do jovem guerreiro da Capadócia, quando muitos e influentes países e cidades o têm como padroeiro, padroeiro menor ou ainda, padroeiro informal?  E teria, a instituição religiosa, como deter a propagação de tanta veneração a santos e santas esparramados por países, cidades ou rincões do mundo? 

São Jorge no Brasil

A relação entre os devotos brasileiros e o santo data dos primórdios da história do Brasil: essa veneração é uma das “mais arraigadas heranças portuguesas, pois o culto dos reis de Portugal a São Jorge teve início com a fundação do reino luso”, afinal São Jorge é padroeiro menor de Portugal. 

“A presença de São Jorge no cortejo de Corpus Christ, em Portugal, simbolizava a fundação da dinastia dos descobrimentos e imprimia ao evento um caráter cívico. Por obra da realeza e das câmaras, a devoção monárquica do mártir manteve-se, transformando-se numa tradição também além-mar. São Jorge atravessou o Atlântico junto com a festa que o popularizou entre os portugueses.”

Séculos depois a realeza portuguesa retorna a Portugal. São Jorge ficou.

Talvez essa seja uma das causas da permanência duradoura – e crescente – mas, seguramente, essa precedência não explica tudo. 

A incorporação da história desse mártir nas práticas africanas também contribuiu para a disseminação generosa de seus poderes miraculosos em solo brasileiro, a partir do momento em que sua figura foi amalgamada ao universo religioso dos diversos grupo africanos que vieram para o Brasil. São Jorge foi sincretizado como Oxóssi, o Orixá caçador da nação Ketu, ou Ogum, o orixá guerreiro. 

São riquezas da fusão enriquecedora e pulsante, presentes nas manifestações religiosas praticadas no Brasil e que marcaram suas trajetórias ao criar práticas culturais na história da colônia portuguesa na América. 

No processar do reconhecimento e adaptação a que a figura de São Jorge foi submetida nos períodos colonial e imperial brasileiros, a sua transmutação para a lua municiou ainda mais o misticismo em torno dele. Nesse satélite natural, cheio de encanto e envolto em um halo de magia, inatingível até a primeira metade do século XX, a mão da religiosidade popular encontrou o lugar estratégico para depositar, como um altar mágico, a figura guerreira do destemido Jorge e de seu corcel branco, submetendo o dragão.     

O poder de resistência da religiosidade popular no caso do “santo guerreiro” e das demais e incontáveis ocorrências que se sucedem ao longo da trajetória milenar da instituição católica, é inquestionável.  Não há como negar a preocupação da alta hierarquia vaticana em lidar com esses fenômenos que, variando no tempo e no espaço, são partícipes da história do cristianismo. 

No encontro eclesiástico da italiana cidade italiana de Pistoia, em 1786, por exemplo, criticou-se “o culto às imagens, e particularmente a prática de dar nomes diferentes a diferentes imagens da mesma pessoa, como se existisse mais de uma Virgem Maria”.

Vãs palavras. 

Seria possível enumerar todas as Virgens Marias que se esparramam pelos países, estados e regiões, cada uma delas à semelhança de traços culturais e das variações regionais representativos de seus lugares de ocorrência? Acomodadas em magníficas construções ou em simples ermidas ou lapas; paramentadas com ouro ou toscamente vestidas; recebendo milhares de fiéis anualmente ou aquelas cuja sacralidade se mantém viva graças à fé de uns poucos moradores das redondezas na qual se encontra, essas imagens representam o conforto para as almas de milhares de cristãos que as procuram, seguros que ali hão de receber proteção e alívio para os seus males. As Nossas Senhoras proliferam pelo mundo, indiferentes às determinações de Pistoia. 

Para além da Capadócia, outro fenômeno inconteste da força e irreverência da religiosidade popular ocorre em terras brasileiras e está vencendo uma queda de braço centenária. A narrativa oral construída por peregrinos sertanejos no sertão nordestino avoluma-se; as peregrinações em busca da figura monumental no alto da Colina do Horto, na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, aumentam, rompem e submetem as normas vaticanas. 

Foi no desenrolar do século XX que o nordestino talhou, sob o sol inclemente que traz a fome, a sede e o desamparo, a história sacralizada de um dos mais populares e reverenciados santos do catolicismo brasileiro:  Padre Cícero Romão Batista (1844-1934), o Padre Cícero, o “Padrinho” ou ainda “Padim Ciço”.

E o poder intercessor desse padre nordestino aumenta, como aumenta o poder de   São Jorge da Capadócia, como aumenta, também, o da Mártir Filomena de Araxá, em Minas Gerais  e tantos outros pelo Brasil e pelo mundo: é a força da construção imaginária da religiosidade popular que se impõe, imperativa. 


1 A Capadócia, situada na Ásia Menor (Turquia), foi província do Império Romano.
2 BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François
Rabelais. 3ed. S Paulo: HUCITEX; Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1993. p.400.
3 BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A cultura na rua. 2.ed. Campinas, SP: Papirus, 1989. p.18
4 VARAZZE, Jacopo de. Legenda Áurea:   vidas de santos. S Paulo: Editora Schwarck, 2006, p. 369. São
Jorge (ou Sant Jordi) é também, o padroeiro da Catalunha, de outras tantas localidades na Espanha e em
outras partes do mundo. Jacopo Varazze ou Tiago de Voragine (c.1228 – 1298) foi arcebispo na cidade de
Gênova
5 Conforme Hilário Franco Júnior, na Apresentação do livro o “objetivo imediato de Jacopo de Varazze era
fornecer aos seus colegas de hábito, dominicanos ou frades pregadores, material para a elaboração de seus
sermões”. O livro seria, ainda um “material teologicamente correto, isento de qualquer contágio herético, mas
também compreensível e agradável aos leigos que ouviriam a pregação”. Varazze, op. cit. p. 12
6 VARAZZE, op. cit. P. 12. Introdução de Hilário Franco
7 Santo Ambrósio, Bispo de Milão e Doutor da Igreja, foi contemporâneo de Santo Agostinho e viveu no
século IV, uma geração depois de S Jorge.
8 Conforme Delumeau, Ambrósio fez parte da chamada “Idade de Ouro dos Padres da Igreja”. Entre os
séculos IV e V, destacaram-se, especialmente, “na língua latina, Ambrósio, Agostinho e Jerônimo”. Os
chamados Padres da Igreja “exerceram dupla ação doutrinal: defenderam o cristianismo dos ataques dos
pagãos e lutaram conta as heresias que muito cedo se manifestaram no interior do cristianismo”.
DELUMEAU, Jean. MELCHIOR-BONNET. De religião e de homens. S Paulo: Loyola, 2000.  p. 95.
9 Entendemos por “religiosidade popular” ou religião do povo, as manifestações de fé, devoção e
religiosidade desvinculada de quaisquer orientações tidas e reconhecidas como oficiais ou
institucionalizadas.
10 KUNG, Hans. Igreja Católica. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 58.
11 REVISTA NOSSA HISTÓRIA, op. cit. p. 18. Grifo nosso.
12 Capadócia, região da Ásia Menor, a oeste da Armênia.
13 VARAZZE, op. cit. pg. 367.
14 Conforme o site www.vatican.va/roman_curia/congregations/csaints, disponível em 03-06-2009.
15 SANTOS, Georgina Silva dos. Venerado guerreiro. REVISTA NOSSA HISTÓRIA, ano 1, n.7, mai/2009 p.14.
16 Revista de História. Op. cit. p. 14.
17 Recentemente, em uma fazenda do interior mineiro, testemunhei quando um grupo de pessoas se
alternava para ver a lua cheia pelas lentes de um telescópio, quando uma mãe viu seu filho (de 8 ou 9 anos de idade) atento, olhando pelas lentes: – “Vambora minino”, disse a mãe. – “Peraí mãe, tô procurando S
Jorge”.
18 BURKE, Peter. Cultura Popular na Idade Média. S Paulo: Cia das Letras, 2010. p. 317


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10 respostas para “Religiosidade Popular – Resistência: São Jorge da Capadócia ”

  1. Avatar de Tania Bution
    Tania Bution

    Artigo interessante, que nos leva a pensar no sagrado e profano e nas diferenças
    entre os dogmas da igreja católica e as crenças populares. Gostei muito! Parabéns pelo trabalho, Ceci 🥰

    1. Obrigada, Tânia, suas impressões são muito importantes…

  2. Gostei muito Cece,texto bastante completo,explicativo e enriquecedor em termos de detalhes,excelente texto,as flores de seda estao lindas,as minhas estao atrasadas,mais a planta esta vigorosa,”estou naquela do aquarde e confie” para ver no vai dar. Ate mais,lembrancas para o para o JL.
    fiquem na paz.

    1. Obrigada, Marquinho. Feliz demais por vc ter gostado…

  3. Avatar de Maria Beatriz Sampaio Silva
    Maria Beatriz Sampaio Silva

    Cecé, querida, há muito tempo aguardava a publicação de seus estudos. Que alegria ver que São Jorge deixou o conforto e o aconchego da sua rica biblioteca, com obras incríveis, e ganhou as redes! Perdeu a companhia de personalidades raras, mas ganhou, certamente, o coração de muitos! Seu texto é brilhante! E a arte da Lu é linda! Parabéns, Cecé! Esperamos, com ansiedade, outros trabalhos seus!

    1. Avatar de Cecé de Carvalho
      Cecé de Carvalho

      Obrigada, Beá, você sempre me estimulou a publicar minhas pesquisas…

  4. Avatar de César Miranda
    César Miranda

    Interessante prima vou aprender muito com você.

    1. Avatar de Cecé de Carvalho
      Cecé de Carvalho

      Obrigada, primo. Compartilhando saberes o que você, aliás, já faz, com seus textos bíblicos.

  5. Avatar de Mariangela Gotelip
    Mariangela Gotelip

    Cece, parabéns pelo trabalho! Vc eh incrível!

    1. Avatar de Cecé de Carvalho
      Cecé de Carvalho

      Obrigada, Prim, sempre tive apoiadores queridos que me estimularam…

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